terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

ESMERINDO CABRINHA DA SILVA - O HUMANIZADOR MUSICAL DE AURORA, CEARÁ -

MAESTRO ESMERINDO CABRINHA DA SILVA. FONTE: AC2B


Por Luiz Domingos de Luna.
 
Respirando a atmosfera artística e cultural de Cajazeiras/PB, pelas ruas, pelos espaços concretos e abstratos, assim, ao chamado de qualquer instrumento musical, ao acorde do som, ao movimento dos dedos, ao ritmo da composição, a harmonia das orquestras; estava lá, sempre vigilante, sem pressa, doado por inteiro, imergido nas ondas sonoras.Navegando na simplicidade, na humildade, na entrega total, na missão intrínseca do seu ser,servir a sociedade na educação musical, num processo contínuo, burilando no mundo mágico de sua criação as letras sonoras que iriam libertar o homem das masmorras sociais,pois toda pequenez da matéria, era pulverizada por um conjunto harmônico de sons vibratórios, dando uma dimensão elástica do ser, na passagem temporal da existência; a cada nota, expelida pelo fito musical, um sonho, um desejo, uma vontade determinada de salvar a juventude das correntes de uma modernidade balofa. Gostava sempre de, em cada fonte, um ponto de um novo nascimento, não um nascimento ditado, sistematizado, na ordem, nas regras de conduta, mas no auto-nascimento, pois a cada músico, a possibilidade plena do encontro entre o ‘Eu íntimo’ e o som projetado. É incrível como cada discípulo de Esmerindo Cabrinha conseguia esculpir na alma a busca pela perfeição, uma perfeição sem cobranças, sem normas, sem lei, sem correção, feita apenas com o olhar silencioso, o olhar de quem acredita, de quem confia, era como se o olhar falasse ‘não se preocupe, eu estou do seu lado, você consegue, você supera, você chega lá’. Este débito musical dos alunos iniciantes sempre formava o paredão da ética, do compromisso, da vontade de acertar, da determinação de mostrar para si e para o mundo que aquele mestre não estava ali em vão, ou por um momento existencial efêmero, mas sim, para abrir horizontes para jovens que só tiveram uma única oportunidade na vida, a oportunidade de aprenderem com o Maestro Esmerindo Cabrinha da Silva, isto era tudo que os alunos possuíam. Eu mesmo, quando da chegada do maestro em Aurora, sempre atentamente, assistia às suas aulas, a sua didática me contagiava, pois não era apenas um professor de música, era muito mais, um humanizador, um construtor da cidadania, da ética, do respeito ao conjunto, e por extensão a sociedade, por que não dizer a humanidade como um todo. Os alunos de Esmerindo viam no maestro um instrumento afinado que tentava reconstruir o espaço único da alma humana, numa luta contínua contra as intempéries negativistas que sujam a história da humanidade. De minha convivência como meu mestre musical, edificador da natureza humana em linhas suaves, decodificadas ao brilho da harmonia, da melodia sonora, ficava sempre admirado com a sua despreocupação com a grandeza do mundo material, pois para seu Esmerindo, a riqueza do ser humano estava em projetar para o mundo um benfeitor musical e social, um humanizador,conseguir isto, parecia algo utópico, mas no carrossel do vendaval da existência, a marca de Esmerindo Cabrinha da Silva ficou timbrada para sempre, esculpida no interior de cada um dos seus alunos que hoje pavimentam nos mais diversos rincões deste país o celeiro de grandes músicos que envaidecem o seu Estado natal, Paraíba, e a sua amada e nunca esquecida, Aurora no Ceará.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

AMARÍLIO GONÇALVES TAVARES - AURORA, A FILHA DE SEU FILHO.

FONTE: BLOG DE  AURORA.


Aurora, a filha de seu filho

Por Luiz Domingos de Luna.

Todo solo sem história é palco aberto para invencionice. É horizonte com limites. É acompanhar o movimento de rotação na incerteza do tempo espaço. É deixar a geografia, a cultura, a permanência do homem na impermanência do ser. É desintegrar a matéria no buraco negro da existência. É reconhecer o caos na ordem existencial dos fatos. É anular o eixo de equilíbrio da vida no vazio da imensidão do infinito.
 
Às margens do Rio Salgado, no sertão do Cariri, na cidade de Aurora(CE), enquanto a passagem da vida era tungada inexoravelmente pelo estrago do poder temporal, ali, bem ali, vigilante, em obediência a cada segundo que passava, a cada molécula de oxigênio respirado, ao som da música do Salgado, à beira deste maestro natural, estava ele, pacientemente, determinado, altivo, sendo o pioneiro, o desbravador, o descortinador, percorrendo em cada malha de uma história, confusa, obscura, não clara, passado de um momento entre o coronelismo, religião, cangaceirismo, passado que amedronta, "monstro da escuridão e rutilância", sempre ele, seja no remanso, seja na violência das águas, sempre com uma tocha acesa para escrever uma história perdida, esquecida, praticamente sem pesquisas, material escasso, tudo muito rudimentar, escuro, um quintal com muro, um grito puro, sozinho na penitência dos monges, na determinação dos grandes sábios, estava ele, sempre ele, imergido na sua simplicidade, na coragem, na bravura, na luta de construir a história de uma cidade, os fragmentos perdidos em arquivo perdidos, numa oralidade perdida.
 
Tudo perdido, mas ele não, ele é a fonte, ele é forte, é uma fortaleza espiritual talhada na pedra, não qualquer pedra mas, sim, a pedra de aço, que mesmo detonada em milhões de pedaços leva o DNA da história, da cultura, de um povo, leva a marca do registro de nascimento da minha querida cidade Aurora. Aurora que é sinônimo do intelectualismo brilhante da sua mente criadora, revolucionária, pioneira, a filha do seu filho, é assim que consigo definir o meu grande amigo escritor Amarílio Gonçalves Tavares.
 
Hoje, é praticamente impossível escrever sobre Aurora sem pesquisar este grande vulto da historiografia da cidade sol nascente. Amarílio nunca esteve sozinho, pois nós que recebemos esta missão árdua de escrever, sempre somos e seremos os seus discípulos, basta ver que no nascimento da Revista Aurora, com a tenacidade do escritor, do continuador desta tarefa árdua, tem no abnegado editor e redator José Cícero da Silva a certeza de que sua semente caiu em solo fértil. Pois o nome de Amarilio está lá, sempre vai estar presente, vivo respirando, dando oxigênio, luz e impulso à força elástica do ser.
 
É a base. É a rocha. É o ponto inicial. É o referencial de uma história que pulsa viva e povoa a imaginação da terra do Menino Deus, como escrever Aurora sem referenciar o menestrel, a águia de Aurora, Amarílio Gonçalves Tavares; um ponto inicial onde brota vários pontos, linhas retas, quadrados, triângulos, losângulos, círculos, nasce o arquiteto, pode fugir das mãos o homem, pode fugir das mãos a matéria, pode fugir tudo, mas com certeza nunca fugirá a história de uma cidade criada por este homem, este vulto que no carrossel do tempo soube costurar tecer, untar, betumar, dar sentido, dar lógica, dar prumo, dar materialidade, dar vez, dar voz histórica à minha querida cidade Aurora.
 
 Ser discípulo de Amarilio Gonçalves Tavares, assim como sou, é pegar a sua guia e partir para o mundo, nas veredas, nos caminhos esgrimistas, em terra árida, nos grotões, atravessar o deserto na busca de um oásis que talvez nem exista. É esculpir na alma a marca de um registro eterno? Passageiro? Não sei, pois a vida é muito efêmera para compreender ou decifrar este mistério da (tenacidade pela tenacidade e da garra pela garra). Amarílio é a certeza da voz, ou do início, da bravura ao pioneirismo. Falar de Aurora, obra de sua criação intelectual e história descritiva, é saber que tudo tem um fundamento, um motor primeiro, um agente causador.
 
Por isso na nuvem do temporal da existência, da fumaça cósmica, ao cotidiano de todos nós, aurorenses, estará sempre presente, na intimidade do ser dois nomes que se confundem para sempre, a filha do seu filho, Amarílio Gonçalves Tavares, e Aurora, Estado do Ceará.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

REFORMA AGRÁRIA E O NOVO RURAL BRASILEIRO.


FOTO: DR. LUIZ CARLOS DE AQUINO PEREIRA(1)

Luiz Carlos de Aquino Pereira (1)

A aquisição de imóveis rurais para fins de reforma agrária objetiva, em última instância, o desenvolvimento socioeconômico dos agricultores familiares, de forma sustentável, com reais melhorias na renda e na qualidade de vida.

Para que se atinjam tão nobres objetivos um dos critérios comumente observados é a Potencialidade da Propriedade Rural a ser adquirida,mediante criterioso estudo da Capacidade de Uso de suas terras. Para tal classificação concorre uma avaliação sistemática do meio físico e da identificação das classes de solos existentes, correlacionando-as com a sua posição no relevo, vegetação e paisagens, recursos hídricos etc.

Essas análises técnicas, desenvolvidas tradicionalmente pelas instituições executoras da reforma agrária, seja no âmbito federal ou estadual, têm se direcionado quase que exclusivamente à destinação para a exploração agropecuária do imóvel rural, agora sob a forma de um Projeto de Assentamento.

Todavia, com as transformações sociais e econômicas operadas no campo, tais como a abertura comercial dos anos noventa, especialmente no período pós-real, que expôs o setor agrícola à competição com produtos importados, altamente subsidiados (Graziano e Del Grossi, 1999); o acentuado processo de urbanização do campo, dentre outras, não se pode deixar de atentar, também com relação aos assentamentos de reforma agrária, para a possibilidade de expansão das Atividades Rurais Não-Agrícolas, a exemplo das pequenas e médias agroindústrias, do artesanato, agroturismo, extrativismo etc.

Nesse contexto do Novo Rural Brasileiro, imagino que os formuladores da Política Agrária precisam estar atentos para tão marcantes transformações, de sorte a reforçar a produção de Normativos Institucionais cada vez mais claros e concisos quanto a essas novas formas de organização dos assentamentos; inclusive para dar maior respaldo aos técnicos (servidores públicos) que participam diretamente da aquisição dos imóveis para a reforma agrária.

Digo isso para evitar que os órgãos de Estado que fiscalizam o cumprimento da lei, “... a defesa do patrimônio público e o zelo pelo efetivo respeito dos poderes públicos aos direitos assegurados na Constituição” não possam fazer interpretações equivocadas, apenando o servidor ou a instituição por desapropriar imóveis tecnicamente inviáveis para a exploração agropecuária convencional; considerando, por talinterpretação, malversação de recursos públicos.
Fortaleza, fev./2014

(1) Engenheiro Agrônomo, graduado pela Universidade Federal do Ceará;
Mestre em Economia Rural pela Universidade Federal do Ceará
Perito Federal Agrário do INCRA - CEARÁ

domingo, 16 de fevereiro de 2014

ALMAS GÊMEAS – BARBALHA 100 ANOS – JOSÉ JOAQUIM TELES MARROCOS.

VISTA PANORÂMICA DE BARBALHA(CE). FONTE: WWW.CARIRINOTICIA.COM.BR
ALMAS GÊMEAS – BARBALHA 100 ANOS – JOSÉ JOAQUIM TELES MARROCOS.

Luiz Domingos de Luna*

Qual o dispositivo mágico, que acionou, quando do pretenso noivado entre a rica barbalhense, Ana Grangeiro Chaves, filha de Antonio Sampaio, proprietário do maior empório comercial do Cariri – Casa Sampaio, com o primo pobre e caixeiro da Casa Sampaio – Salustiano Grangeiro de Luna, ao tiro certeiro de José Joaquim Teles Marrocos, ao abade Geral do Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro, em 1901, Dom Gerardo Van Caloen, à solicitação do Caipira do Cariri, Salustiano Grangeiro de Luna ao ingresso na multissecular ordem Beneditina.
 
Em janeiro de 1902, a sociedade Barbalhense, assiste a partida do Jovem Salustiano Grangeiro de Luna para, do vínculo nupcial quebrado, ao manto protetor da Ordem de São Bento,uma nova história, deixando para trás uma jovem linda, noiva graciosa e apaixonada, em lágrimas ardentes, aos olhos lacrimejantes , de toda uma comunidade, que, em espanto, não conseguia entender o por quê da ruptura do sentimento nobre que une os seres humanos
 
Pobre Ana! Pobre Salustiano, o amor dissolvido na fumaça de um mistério, a sondar nos mais longínquos espaços das grandezas emocionais e sentimentais, Uma ruptura, ou uma união eterna?
 
Na Revolta dos fuzileiros Navais, chamada revolta da Chibata, em dezembro, 1910. Salustiano perde dois dedos da mão direita, o indicador e o médio, na defesa da abadia de Nossa Senhora de Monte Serrate, porém, já com ordenação sacerdotal no dia 04 de Janeiro, 1910, na mesma Abadia, pela imposição das mãos de Dom Gerardo Van Caloen abade Geral do Mosteiro de São Bento Rio de Janeiro.
 
67 anos de vida monástica, graças ao semeador, José Joaquim Teles Marrocos, nasce finalmente, o primeiro prior do Mosteiro de São Bento da região do Cariri Cearense – D. Joaquim Grangeiro de Luna, a assumir a Abadia de nossa Senhora de Monte Serrate no Rio de Janeiro, deixa para trás o seu nome de Batismo, Salustiano Grangeiro de Luna. Ainda hoje no mosteiro a Lápide Dom. Joaquim Grangeiro de Luna falecido aos 22 de novembro, 1969.
 
O Grito mágico de José Joaquim Teles Marrocos, a ecoar nos ouvidos de Ana Grangeiro Chaves,/ Prima Bandu/ pois, também, encontra acolhida na congregação das missionárias beneditinas, na qual viveu longa existência em Olinda, vindo a falecer em 1968. Por ai se vê, que ambos Salustiano e Bandú / Dom Joaquim e Madre Benta/, se realizaram plenamente na vocação que o senhor lhes indicou, através do abalizado mestre, José Joaquim Teles Marrocos.
 
(*) Professor – Aurora – Ceará
Email: falcaodouradoarte@hotmail.com
 
Livro Pesquisa: Um menino Caipira que se Fez Monge { Dom Joaquim Grangeiro de Luna} Notas Sobre o Tio Monge, Escritas por Padre Luna. Missão Velha -1979.