terça-feira, 4 de março de 2014

AURORA CEARÁ DO POETA SERRA AZUL.

POETA SERRA AZUL. FONTE: AFA.


                    NOTAS SOBRE O POETA SERRA AZUL

Trecho publicado em O Ceará, de Raimundo Girão e Antonio Martins Filho, Edição de 1939 – editora Fortaleza. Rio de Janeiro, 9 de julho de 1977

Nos idos de 1919 chegava a Fortaleza o poeta Serra Azul. Tinha 26 anos, pois nascera a 3 de maio de 1893 no sítio Pau Branco do município de Aurora – CE.

Aos 4 anos de idade ficara órfão de pai e mãe, sendo criado por uns tios que não tinham filhos. Aprendera a ler valendo-se de retalhos de jornais, fragmentos de livros escolares, almanaques e folhetos que conduzia, às escondidas, para a sombra do marmeleiro e do mofumbo, arbustos que caracterizam as caatingas do nordeste.

Aos 15 anos recebera de Luiz Gonçalves Maciel as primeiras noções. Esse Luiz Gonçalves Maciel havia sido seminarista e era tudo em Aurora: professor, mestre de música, sacristão e farmacêutico. Como sacristão, substituía o vigário nas suas ausências, ministrava sacramentos e fazia pregações; como farmacêutico, era o médico do lugar e das aldeias vizinhas. Maciel encontrava-se em Malhada Funda, na zona do ribeirão Tipi, afluente do Salgado, foragido de Aurora, quando a cidade fora invadida, incendiada e saqueada, em 1908, pelas cabras de José Inácio, do Barro, e de Cândido Ribeiro, mais conhecido por Cândido Pavão.

De Lavras, onde residiu o nosso perfilado algum meses, saiu a peregrinar pelo sertão como professor de meninos, detendo-se na Serra azul, a leste de Quixadá, em 1912, quando tratou de construir família. Participando de reuniões na chamada Cidade dos Monólitos, começou a fazer sucesso como improvisador, sucesso que repercutiu em Fortaleza. Juvenal Galeno, Rodolfo Teófilo, Antonio Sales, Quintino Cunha e Leonardo Mota convenceram-no a fixar-se na capital, onde conseguiria emprego. Mas do dinheiro que esse emprego lhe rendia nada sobrava para a compra de livros. A família aumentava de ano em ano. Assim, passou a freqüentar todas as noites, a biblioteca pública. Lia muito, lia até se apagarem as luzes do prédio. Ás vezes era visto em companhia de literatos, e os jornais começavam a publicar as suas poesias. A conselho de Rodolfo Teófilo resolveu adotar o nome de Serra azul, Não mais como apelido, porém como nome de família. Hoje além de poeta, é o professor de história natural e geografia. .

Francisco Leite Serra Azul. De uma memória de anjo, sabe de cor mais de 100 sonetos de Bilac, o seu preferido, e conhece, a fundo, as geografias físicas do Brasil, sendo capaz de responder sobre qualquer dos seus acidentes.

Publicou Serra azul em 1924 o Alfabeto das Musas e em 1938 Natureza Ritmada. Ambos esgotados. Alfabeto das Musas contém os versos da fase lírica do autor. Alice é o modelo dos demais sonetos dessa fase. Francisco Leite, que veio do interior quase inculto, fixou-se aqui e vencendo terríveis dificuldades conseguiu cultivar seu espírito, manter e educar sua numerosa família.

Hoje é professor, e com o nome de Serra Azul tornou-se um de nossos poetas mais conhecidos. É de sua autoria o volume Natureza Ritmada, aparecido ultimamente e que foi uma vitória para o seu talento. Trecho publicado em O Ceará, de Raimundo Girão e Antonio Martins Filho, Edição de 1939 – editora Fortaleza. Rio de Janeiro, 9 de julho de 1977. Meu prezado poeta Francisco leite Serra Azul ( Serra Azul )Alameda das Verbenas, 322 – Q. 13 Aldeota Fortaleza – CE. Pax Tenho participado de vários livros do Aparício, menos deste último: anuário de poetas do Brasil – 1 vol. 77, onde, com satisfação acabo de ler os seus 10 sonetos, sob a denominação Versos bucólicos. Confesso – lhe, meu preclaro poeta, que estou maravilhado são 10 sonetos bucólicos muito bons, o que é bastante raro, hoje em dia, acontecer. Meus efusivos parabéns. Gostei muito dos seus: A farinhada Aurora, pequeno munduru e a lua, todos de um fino lavor e bela inspiração. São difíceis de se fazer. Bravos. Queira dar – me a honra de ler o meu segundo livro de poesias: pensamentos poéticos, propaganda anexa, com 134 novos sonetos, entre alexandrinos, decassílabos e sonetinhos que tenho absoluta certeza de que irá gostar. Não o decepcionarei, meu estimado confrade e, desde já, aceite o meu abraço agradecido e os votos de boa saúde e inspiração. Do seu admirador. A poesia de Serra Azul. Francisco Leite Serra Azul é inconfundível com os demais poetas do Brasil. Inconfundível porque a sua poesia é de cunho científico – filosófico ainda não cultivado no Brasil, filiando-se aos gêneros de Lucrécio, Ovídio e Goethe.

Seu livro Natureza Ritmada é uma prova disso. E o livro Versos Bucólicos pelas amostras que temos e pelo que verificamos na intimidade do poeta, não é mais do que uma continuação daquele no seu gênero predileto. Apenas a variante está em que Natureza Ritmada é cosmogônico. Dedica-se aos assuntos da astronomia, da física, da química, da meteorologia, da biologia e da fisiologia e anatomia humana. E matematicamente, entra pelos campos da geometria, onde descreve na Força cósmica um universo de círculos, eclipses, triângulos e linhas, falando sobre a curva do tempo e as Dimensões do Espaço, onde entram em choque as leis da gravitação universal de Newton com as da relatividade de Einstein. Penetra ao fundo dos abismos estelares onde se acha a estrela Antares com seus 370 anos de luz distante de nós e que nenhum poeta como Bilac tem ouvidos para ouví-la ou entendê-la. E com a mesma facilidade desce ao profundo vale submarino onde emitido luz como os radiários, fala do motu-continuo e da evolução na luta universal. Este é o enredo de natureza ritmada. Ao passo que versos bucólicos é geogênico ou geofísico. Trata de assuntos relativos ao adubo da terra, aos minerais, as plantas e aos animais. É todo dividido em ordem metódica. Há uma série de poemas e sonetos sobre plantas industriais e alimentícias outra sobre plantas medicinais, ornamentais e hortenses, outra sobre árvores frutíferas, árvores nativas e árvores.

Transcrição: Luiz Domingos de Luna – Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora - Ceará

segunda-feira, 3 de março de 2014

ESCOLA ROMÃO SABIÁ EM RITMO DE PROGRESSO ACELERADO.



ESCOLA ROMÃO SABIÁ EM RITMO DE PROGRESSO ACELERADO.



 A Escola de Ensino Infantil e Fundamental Romão Sabiá, localizada no querido bairro do Araçá no município de Aurora (CE); instituição educacional pertencente à Rede Pública Municipal de Ensino vem passando por momentos de júbilos e glórias por parte do Corpo Administrativo, da comunidade escolar no foco da relação ensino aprendizagem, pois com o referenciamento do Site Aqui Conectados, o Portal de Aurora com o título de Jóias 2013 numa votação avassaladora  enaltecendo a todos que fazem a educação pública no primoroso bairro do Araçá.


Inserida no Bairro mais populoso da Terra do Menino Deus, a escola, ao tempo que passa, vem ganhando credibilidade e apoio integral da sociedade aurorense.


Claro, que toda esta tonificação educacional tem o impulso maior do Gestor Público Municipal, da Secretaria de Educação do Município e de uma equipe azeitada no trato de prestar uma educação de qualidade ao alunado, com maestria, garra, tenacidade e, a determinação de dar o suporte necessário ao sucesso por que passa a valorosa casa de Educação Pública Municipal do Bairro Araçá.


A Escola possui  no seu quadro, 903 alunos, 39 professores, 21 funcionários e o Núcleo Gestor  na seguinte composição:


Diretora Administrativa: Profa. Francisca de Souza Lira Saraiva.

Coordenadora Pedagógica: Profa. Ana Claudia de Souza Lira.

Diretora Financeira: Joana D’arc Gonçalves Landim.

Secretária Escolar: Maria das Graças Amaral Duarte.


O que caracteriza o Ritmo de Progresso Acelerado da Escola Romão Sabiá é, na verdade, um projeto pedagógico elaborado no sentido de que todos os envolvidos no processo educacional sejam valorizados, integrados, participativos e agentes de transformações sociais, na busca constante do conhecimento, do respeito, da ética e da cidadania.


É importante ressaltar que a escola, atualmente, trabalha com uma linha pensamental onde os componentes são responsáveis diretos por este sucesso que se avoluma a cada dia, com cooperação, integração, união e zelo com o bem estar da harmonia participativa conjuntural, na busca constante de uma sociedade onde todos possam ser felizes e, felizes plenamente.


Luiz Domingos de Luna professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra, Aurora – Ceará.







































quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

THOMAZ ALENCAR BATISTA: 90 ANOS, UMA DÁDIVA DE DEUS.

Thomaz Alencar Batista: 90 anos, uma dádiva de Deus*

"A vida é a infância da nossa imortalidade", dizia Goethe...

E o que diríamos nós, simples mortais? Diante deste momento tão significativo em que nos reunimos para comemorar nesta noite, a passagem dos 90 anos de vida do Sr. Thomaz Alencar Batista, ou mais simplesmente “Seu Tomás?” - Um homem por quem a própria vida teve que passar necessariamente pelo árduo ofício do trabalho, na busca incessante pela sobrevivência.

“Seu Tomás”, portanto, é mais que um simples vencedor. Um homem do seu tempo que em nenhum momento perdeu as esperanças de que um dia o futuro pudesse ser melhor. “Seu Tomás” por fim, é uma dessas figuras humanas que consegue se sobrepor às demais, não pelo orgulho (puro e simples) de ter alcançado em plena lucidez o seu nonagésimo aniversário de sua idade física.

Mas, sobretudo pelo exemplo que nos dá, do afeto e do amor dedicado, tanto à família quanto ao trabalho e ao próximo. Seus 90 anos, portanto, representam o resultado de uma longa história de vida, toda ela marcada pela força da esperança com a convicção de ter sempre combatido o “bom-combate”. Movido sempre por um esforço hercúleo, o homem Tomás foi quase um predestinado em cujas mãos carrega até hoje a convicção de que o trabalho é sempre o melhor caminho. Um exemplo para os seus filhos; quase como um manual de ‘vida longa’ a ser também imitado e admirado por todos quantos o conhecem e privam da sua amizade.

Nascido em 30 de março de 1917 no sítio Batedor, na época município de Milagres e hoje pertencente ao Barro, Thomaz Alencar Batista teve como genitores o Sr. João Batista de Araújo e a Srª Antonia Alencar de Araújo. Cedo, aos seis anos ficara órfão de pai, tendo em tenra idade, que assumir a função de chefe de família passando a ajudar sua mãe e seus irmãos mais novos nas tarefas domésticas do dia-a-dia e no roçado. Foram dias longos e difíceis. Porém o jovem Thomaz soubera suportar e resistir como gente grande...

Aos oitos anos, Thomaz e sua família mudaram-se para o sítio Cuncas no vizinho município de Barro quando dali em diante passou a trabalhar a terra tirando do chão o necessário sustento da sua família. Aos 15 entrou para a vida de “tropeiro viajante”, uma espécie de mascate sertanejo comercializando de tudo pelo Cariri afora. Na época, era ele naquela ribeira que trazia e que levava pelo sertão adentro as novidades, tanto em matéria de mercadoria quanto em forma de “notícias”. A vida não parecia fácil para o jovem Thomaz, mas ele tinha já naqueles anos, a ousadia e a fé, que mais tarde o marcariam para sempre. Aos 27 anos decidiu casa-se com a Srª Antonia Benício de Luna (sua primeira esposa) de cujo enlace nasceu sua única filha – Maria da Glória, atualmente residente na capital cearense (mãe de 4 filhos e avó de 3 netos).

No início de 1958, sua esposa Antonia adoece e no leito de morte, faz um pedido a sua melhor amiga - Expedita de Luna Rangel. Pede-a que case com Thomaz. Cerca de dois meses depois do seu desencarne, o compromisso foi sacramentado. Thomas contrai segundas núpcias com Expedida de Luna (sua atual esposa) cujo matrimônio permanece até os dias atuais. Em seguida, o novo casal decide mudar-se para o Tipi de Aurora, região na qual residiram por vários anos sob a labuta da agricultura e nas horas de folga da compra e venda de mercadorias. Naqueles anos difíceis, Tomás era por assim dizer, “pau pra toda obra”: agricultor, caixeiro viajante, vendeiro (e pasmem) até parteiro se aventurou a ser, na ânsia de poder ajudar quem assim necessitasse.

Em 1960 nasce o seu 1º filho (fruto do seu segundo casamento) – João Bosco de Luna Alencar, casado com a Srª Liduína Cavalcante que lhe deram como netos: Thiago, Thaynara e Thalyta. Em 63 nasce o seu 2º rebento – Vicente de Luna Alencar, solteiro, formado em história, atualmente diretor deste importante educandário. Em 65 nasce o seu filho Roberto de Luna Alencar, tendo este falecido aos 15 anos de idade. Passados os transtornos dessa trágica perda; eis que em 1969 veio ao mundo: Francisco de Luna Alencar (Orlando), casado com Rosângela Santos, residente aqui mesmo em Aurora.

Como um homem essencialmente dedicado aos afazeres do cotidiano, Thomaz nunca perdeu de vista a importância do estudo como instrumento de crescimento e preparação. E assim, seus filhos puderam enfrentar, todas as ‘intempéries’ da vida na construção do seu próprio destino. De modo que, mesmo residindo na zona rural sempre incentivou como pôde a sua prole a vir para a cidade, a fim de que pudessem galgar os caminhos do saber e do conhecimento. Tempos depois, Thomaz passou a exercer o ofício de "juiz de paz" da vila Tipi. Passando em seguida, a função de vigilante na agência local do Banco do Estado do Ceará (BEC) posição em que doravante se aposentou.

Antes de qualquer outra coisa, Tomás foi um homem da ação que ousou o tempo todo sonhar por seus filhos, como alguém que profetizasse grandes bonanças nos horizontes do amanhã.

Há quem diga, inclusive, que “Seu Tomáz” tem uma saúde de ferro, uma memória de elefante e uma sabedoria acumulada de valor inigualável. Digamos que em parte isso é verdade. Mas não nos esqueçamos que em 1995 o decano dos Alencar, teve que ser submetido a uma cirurgia na qual sofrera bastante. Mas ele, uma vez mais, conseguiu superar obstáculos... Todavia, em 1997 vitimado por uma forte pneumonia o velho Tomáz sofreu mais um revés na sua resistência física, ao ponto de ser até mesmo desenganado por alguns médicos que chegaram por sinal, a numerar os dias de vida que lhe restavam... Contudo, dotado de uma saúde literalmente de leão, “Seu Tomáz” deu a volta por cima: E hoje está aqui (para ele próprio) contar-nos a sua história. Uma história que, (diga-se de passagem), de tão afirmativa, precisa não apenas ser contada, mas principalmente ser comemorada; por ser ela, a própria história e o retrato da superação.

Hoje, portanto, do alto desses invejáveis 90 anos: descendem da árvore genealógica de “Seu Tomáz”, além de 4 filhos, 7 netos e 4 bisnetos. Como também, um sem-número de amigos e mais uma imensa legião de simpatizantes da sua longevidade, gloriosa, divina e proverbial...

Por tudo que ele representa, podemos muito bem afirmar que esta noite é mais que um simples momento festivo, convencional... Muito mais que isso, trata-se de uma notória e verdadeira consagração. Um instante eterno, daqueles onde os deuses da longevidade descem a terra para brindar tão jubiloso acontecimento. Por isso, haveremos todos de lembrá-lo por muito tempo. Afinal, não é todo dia que ficarmos frente a frente com um ser humano especial, que muito mais que o exemplo, conseguir superar-se a si mesmo, para neste dia dizer-nos de alto e bom som – que a velhice não existe e que a juventude é, de fato, um mero estado de espírito. Foi assim, com a disposição de lutar ante a aquiescência de Deus, que ele conseguiu superar a própria cronologia do tempo e da idade.

Então: Vida longa a “Seu Tomás” nestes seus 90 anos de existência...

Parabéns, grande mestre!!

Prof. José Cícero
Escritor, pesquisador e poeta.
Aurora - Ce.

(*) Crônica apresentada na festa de aniversário dos 90 anos de "Seu Tomás" na noite do dia 30 de março no Col. Monsenhor de Aurora-CE.